A Porsche, fabricante de carros esportivos, chegou mais perto ontem da criação do maior império de automóveis e caminhões da Europa, depois de aumentar sua participação na Volkswagen em quase 5%, para 35,14%. A decisão dá à companhia alemã o controle hipotético sobre sua maior concorrente, uma vez que apenas 60% dos acionistas da Volks normalmente participam das assembléias gerais da companhia. No entanto, a Porsche ainda está longe de declarar um controle pleno, uma vez que está envolvida em uma série de disputas pelo poder com o conselho de fábrica da Volks e com Ferdinand Piëch, presidente do conselho de administração e ex-diretor presidente. O estado da Baixa Saxônia, o segundo maior acionista da Volks e que detém participação minoritária de bloqueio, tem divergências profundas com a Porsche. Após o passo intermediário de ontem, dado para atender exigências reguladoras, a Porsche pretende comprar a maioria das ações da Volks até o fim de novembro. “Continua sendo nosso objetivo aumentar a participação na Volkswagen para mais de 50%”, disseWendelin Wiedeking, diretor-presidente da Porsche. A tentativa de ontem da Porsche de obter o controle também desencadeou uma oferta de compra obrigatória para a marca premium Audi da Volks. Mas a Porsche disse que a proposta será feita ao preço mínimo exigido e que a Volks já sinalizou que não vai oferecer suas ações. A Volks controla mais de 99% do capital da Audi. Wiedeking disse que a Porsche espera “uma solução rápida para o conflito entre os representantes dos trabalhadores da Porsche e a Volks”. O conselho de fábrica da Volks está brigando para manter sua influência. Bernd Osterloh, diretor do poderoso conselho de fábrica da Volks, que tem o apoio tácito de Piëch, “mostrou os dentes” mais uma vez ontem ao enfatizar que “todas as decisões relevantes para a Volkswagen serão tomadas em nosso conselho supervisor”. Esses comentários foram feitos dias após o conselho de fábrica, ajudado por Piëch, ter vencido os representantes dos acionistas na votação de uma moção para restringir a liberdade da Porsche para cooperar com a unidade Audi. Isso transformou uma discussão prolongada entre o poderoso Piëch, neto do pioneiro Ferdinand Porsche e um dos maiores acionistas da Porsche, e outros membros da família Porsche, em uma rixa pública.
Valor Econômico
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